Dr Nechar :::... "o nosso deputado federal em Brasília"

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            Segunda-feira, 06 de fevereiro de 2012

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Defesa ao Cooperativismo
Dr. Nechar em entrevista para a Revista Universo Unimed.







Em defesa do Cooperativismo


A defesa da saúde e do cooperativismo é o foco colocado pelo Deputado Federal Dr. Sérgio Antônio Nechar (PV-SP), que é médico cooperado da Unimed Marília, para seu mandato na Câmara dos Deputados. Em entrevista para a Revista Universo Unimed, Nechar falou sobre sua clara postura em defesa do Sistema Unimed, por ser um cooperativista nato. Um dos fundadores do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE), da Federação das Unimeds do Estado de São Paulo (Fesp), defende a participação política das cooperativas, como forma de realizar um lobby saudável. Em seu primeiro mandato, diz que passou por um momento inicial de aprendizado e adaptação e, agora, já com credibilidade e fidelidade, atua fortemente junto às principais lideranças. O médico oncologista sempre atuou no cooperativismo, foi fundador da Unimed Marília, vice-presidente da Federação Intrafederativa do Centro-Oeste Paulista e membro do Conselho de Administração da Fesp. Nas eleições de 2006, recebeu o apoio do NAE para sua candidatura a Deputado Federal, em que obteve quase 50 mil votos e exerce mandato.

Revista Universo Unimed - O senhor chegou na Câmara para um primeiro mandato e deve estar aprendendo ainda. Como está a sua atuação? Sérgio Antônio Nechar - O primeiro ano é realmente de aprendizado. .Hoje, tenho a fidelidade, confiabilidade e credibilidade dos colegas, explicando o porquê de cada do voto, troco idéias com os formadores de opinião, e isso faz com que tenhamos uma respeitabilidade muito grande dentro da Câmara, e também consigamos coisas favoráveis ao Sistema Unimed, que achamos que é o correto. Por exemplo, no caso da CPMF votei contra e votarei quantas vezes forem necessárias, porque não era um dinheiro aplicado na saúde e não poderia ser favorável a um dinheiro que se diz para a saúde, mas que tinha outro destino. Tive muito ônus por isso, a ponto de chegar no Ministério e dizerem que votei contra a CPMF sendo da base governista. Mas tenho a minha ideologia, sou médico e sei o que acontece.

Revista Universo Unimed - O Senhor é titular na Subcomissão de Saúde da Mulher e suplente na Comissão Permanente de Saúde. Como é esse envolvimento que tem com a saúde, desde sua formação como médico, passando a ser fundador de uma Unimed em Marília. Sérgio Antônio Nechar - Quando entrei para a política como vereador e quis ser Deputado Federal, trabalhava em um posto de saúde e atendia as pessoas com a maior delicadeza e esmero. Quando o paciente ia para as farmácias, voltava em seguida para a minha porta e dizia que não tinha dinheiro para comprar o remédio. Isso foi me deixando muito desconfortável. Decidi deixar de cuidar do individual e cuidar do coletivo, como Deputado Federal, participando da Comissão de Seguridade Social e Família, e fazendo projetos nesta linha. Sou o relator do projeto de lei nº 3.171/00, que diz que se o paciente tem uma doença crônico-degenerativa, como diabete, hipertensão e outras, ele sai do ambulatório e tem que receber a quantia de remédio para o mês. Se não tiver esse remédio no ambulatório do Sistema Único de Saúde (SUS), o paciente vai para a farmácia popular. Se não tiver na farmácia popular vai para uma farmácia comercial, com um carimbo atestando que não tem o medicamento na farmácia popular e caberá ao SUS fazer o ressarcimento do custo à farmácia comercial. Seria uma generalização das farmácias populares. Minha experiência como professor em uma faculdade de medicina, durante 35 anos, além do “know-how” que adquiri na Unimed ajudam a detectar as pessoas que faltam com a verdade e pegá-las de calça curta. A Unimed tem que apoiar pessoas que realmente entendam do Sistema. Não adianta ter pessoas que não saibam argumentar. Tenho orgulho de dizer que represento o Sistema Unimed na Câmara dos Deputados.

Revista Universo Unimed - Na Reunião de Audiência Pública em que foi debatido o novo rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e seus impactos nos planos de saúde, qual foi o seu posicionamento? Sérgio Antônio Nechar - Com a edição da Lei 9.656/98, as operadoras de uma maneira geral tiveram que se adequar às normas regulamentares que a ANS nos impôs. De repente, foram incluidos quase 200 procedimentos no rol de procedimentos: vasectomia, laqueadura de trompa entre outros. Hoje em dia, no SUS só são atendidas as urgências. Imagine o custo de transferir para o sistema de saúde complementar esses procedimentos. Também discutimos nessa audiência a questão da portabilidade. Uma empresa qualquer vende um plano para uma pessoa prometendo mundos e fundos. Esse paciente quando precisa de uma cirurgia cardíaca, o plano sugere passar para a Unimed, por exemplo, e então fazer a cirurgia cardíaca. Essa pessoa sai de um plano com a portabilidade, dizendo que não tem nada e de repente é obrigado a fazer uma cirurgia e nós que ficamos com o prejuízo. São questões que precisam ser muito debatidas. Seguimos essa Lei, que a todo momento lança normas regulamentares que temos que acatar, e de repente estão mandando na gente e tirando total liberdade da empresa de gerenciar seus custos, o que pode levar à falência do sistema. Eu já tinha organizado outra audiência pública em que destacamos que o Sistema Unimed está fazendo protocolos em oncologia, aplicando medicações, em fase dois, em pacientes para teste. Nós, planos de saúde, não podemos fazer parte de pesquisa. Temos que usar o que há evidência clínica, a medicina baseada em evidências.

Revista Universo Unimed - O Senhor sempre debate questões sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Sérgio Antônio Nechar – Por exemplo, quando falam que o SUS deve ser ressarcido de todos os procedimentos que faz, lembro que o artigo 5º da Constituição diz que a saúde é um direito do cidadão e dever do Estado. O Sistema Unimed é uma saúde complementar que subsidia o SUS. Então, todo procedimento que a Unimed faz também teria que ser ressarcido pelo valor do SUS. As Unimeds quando atendem o paciente SUS deviam ser ressarcidas, já que é um dever do Estado. Alguns deputados acreditam que as operadoras devem bilhões para o SUS por conta do ressarcimento, já que são pacientes da Unimed ou de outras operadoras e são atendidos pelo SUS. Essa é uma briga, pois eles falam em uma cifra e o Presidente da ANS fala em outra. Eles falam que ressarcimos somente os procedimentos de internação e não os de ambulatório, pois fica difícil fazer a cobrança. Mas o problema é que o SUS cobra a tabela da Tunep (Tabela Única de Equivalência de Procedimentos), três a quatro vezes maior que a tabela que o próprio SUS paga por um procedimento. Então, como é que se pode pagar “X” e receber “Y” das operadoras para o mesmo procedimento? É uma discrepância que precisa ser analisada.

Revista Universo Unimed - Nesse seu trabalho em defesa do cooperativismo e da saúde, quais são os principais desafios que o senhor encontrou na Câmara? Sérgio Antônio Nechar - O maior desafio foi a norma do TSE que proibiu as cooperativas de financiar candidatos, dizendo que somos partidários. Não somos partidários, somos políticos. Se o Sistema Unimed só financiasse médicos cooperativistas do Sistema Unimed em um mesmo partido, seria partidário. Estão confundindo partidarismo com política. Essa foi uma frustração que até agora, nós os deputados do cooperativismo, não estamos conseguindo reverter.

Revista Universo Unimed - Como avalia o envolvimento político-partidário da própria Fesp através do NAE? Sérgio Antônio Nechar - Fui o fundador do NAE. Era para ter sido o coordenador, mas passei para o Dr. Hamilton Akamine porque eu era candidato nas eleições de 2006 e não queria misturar as coisas. O Dr. Ronaldo Nazar como secretário também foi indicação minha e, depois, acabou sendo coordenador. O NAE tem uma importância vital. Sou favorável ao lobby às claras, em que se reconhece as pessoas que foram eleitas para defender uma instituição e isso é muito importante. A atividade de pressão sobre grupos políticos e poderes públicos faz parte do jogo democrático. Isso faz com que os falsos lobistas saiam do pedaço.

Sobre o futuro, quais são seus planos? Sempre digo que estou deputado. Sou médico ainda, saio de Brasília quintas-feiras à noite, vou para Ribeirão Preto e Jaboticabal. No outro dia, opero pela manhã, atendo à tarde e, à noite, vou para casa. Quando o Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara dos Deputados, nos convoca para segunda-feira, preciso atender meus pacientes no sábado. Quando não, no sábado faço política, no domingo é o espaço reservado para minha família e segunda-feira atendo aos pacientes de Marília. Tive muita sorte e um pouco de vivência. Soube escolher o partido correto, verificar quais seriam os candidatos que iriam disputar comigo e se teria possibilidade de fazer mais votos. É todo um jogo, uma estratégia. As pessoas recebem votos por um trabalho desenvolvido por toda uma vida. Fui uma pessoa que sempre tratei de pacientes independente da condição sócio-econômica. Fui professor da Faculdade de Medicina e atendia em posto de saúde. Isso fez com que tivesse um capital eleitoral. Claro que sem ajuda financeira ninguém é nada, não teria condições de tocar minha campanha se não fosse a Unimed Fesp e a Unimed Paulistana, através do NAE. Quero dizer que amo o sistema cooperativo, sou um cooperativista nato e que a Unimed pode contar comigo em todas as decisões e estarei pronto para receber os pedidos dos colegas cooperativistas, daqueles que fazem a base do cooperativismo, que são os colegas médicos, que mostram o porquê o Sistema Unimed é bom.

Por Paulo Toledo e Raquel Vilas Boas